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Estudo inédito publicado na The Lancet mostra que terapia com células-tronco no útero reverteu malformação (mielomeningocele) em 100% dos bebês testados
Brasil e Mundo

Tratamento pioneiro com células-tronco reverte malformação em bebês ainda no útero

Estudo publicado na revista The Lancet revela que terapia aplicada durante a gestação corrigiu anomalias e protegeu os movimentos de crianças.

Éder Luiz

Éder Luiz

Estudo inédito publicado na The Lancet mostra que terapia com células-tronco no útero reverteu malformação (mielomeningocele) em 100% dos bebês testados

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Um avanço histórico na medicina fetal promete trazer uma nova esperança para milhares de famílias. Um ensaio clínico inédito, que combinou a cirurgia fetal tradicional com a aplicação de células-tronco, conseguiu reverter os danos de uma grave malformação congênita em todos os bebês que participaram da primeira fase do estudo. Os resultados surpreendentes foram publicados recentemente na renomada revista científica The Lancet.

A condição tratada é a mielomeningocele, a forma mais grave e comum de espinha bífida. Ela ocorre quando a coluna vertebral do feto não se fecha adequadamente durante as primeiras semanas de gestação, deixando a medula espinhal exposta ao líquido amniótico. Isso pode causar paralisia nas pernas, perda de controle da bexiga e do intestino, além de provocar uma complicação severa na qual uma parte do cérebro escorrega para o canal do pescoço (chamada de herniação do rombencéfalo), bloqueando a circulação de fluidos cerebrais.

Como funciona o tratamento inédito

A pesquisa, liderada por cientistas e cirurgiões da Universidade da Califórnia (UC Davis Health), nos Estados Unidos, acompanhou seis gestantes cujos fetos foram diagnosticados com a malformação.

Entre a 24ª e a 25ª semana de gravidez, as mães passaram por uma cirurgia intrauterina. O grande diferencial do procedimento foi a aplicação de um “adesivo” especial contendo células-tronco mesenquimais derivadas da placenta humana diretamente sobre a medula espinhal exposta do bebê, pouco antes de os médicos fecharem a lesão nas costas. O objetivo dessas células é reduzir a inflamação, proteger o tecido nervoso e promover a regeneração da medula antes do nascimento.

Resultados superaram as expectativas

Os bebês nasceram de forma segura por volta da 34ª semana de gestação. O sucesso do procedimento celular foi imediato: nenhum dos recém-nascidos apresentou sinais de infecção, tumores, vazamento de líquido ou rejeição ao adesivo.

O mais impressionante foi constatado por meio de exames de ressonância magnética realizados após o parto: a perigosa anomalia cerebral (herniação) associada à doença foi completamente revertida em 100% dos seis bebês operados.

“Inserir células-tronco em um feto em desenvolvimento era algo totalmente desconhecido. Estamos entusiasmados em relatar um ótimo nível de segurança. Isso abre caminho para novas opções de tratamento para crianças com defeitos congênitos. O futuro é promissor”, destacou a Dra. Diana Farmer, principal investigadora do estudo e primeira mulher cirurgiã fetal do mundo.

Próximos passos

Com o sucesso absoluto e a segurança comprovada nesta primeira etapa, a equipe médica já recebeu autorização das agências de saúde para expandir a pesquisa clínica e testar o tratamento em mais 29 participantes.

Os bebês já tratados continuarão sendo monitorados de perto pelos pesquisadores. A expectativa maior é avaliar o progresso dessas crianças quando atingirem a idade de cerca de dois anos — período em que começam a aprender a andar —, para confirmar as melhorias definitivas na força muscular, coordenação motora e independência física.


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